A hipocrisia da escravidão ideológica

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Dan Bilzerian. (Instagram/Reprodução).

O assunto da semana, na “lacrolândia”, é Dan Bilzerian, o instagramer playboy, cercado de mulheres, carrões, jatos, armas e drogas, em lugares paradisíacos, com 31,7 milhões de seguidores.

Secundariamente, também, reacenderam a polêmica de Mia Khalifa, a ex-atriz pornô libanesa, que ficou famosa por fazer uma cena de hijab e, por isso, ser ameaçada de morte pelo Estado Islâmico.

Em ambos os casos, o movimento feminista mostra a sua verdadeira face: O autoritarismo. Não é sobre liberdade; não é sobre direitos. É sobre padronização de conduta.

Bilzerian objetifica as mulheres? Sim! Em suas fotos, invariavelmente, está acompanhado por várias modelos seminuas, exibindo seu lifestyle ou promovendo a sua marca. Isso é errado? Não! Todas as mulheres são adultas e estão naquela situação por vontade própria. Qualquer pessoa tem o direito de reprovar este estilo de vida, mas não tem o direito de condená-lo. Isso se chama liberdade de escolha.

O mesmo vale para Khalifa. Quando entrou no ramo da pornografia, já tinha 21 anos completos. Era legal e mentalmente capaz de tomar suas próprias decisões. Como ela mesmo afirmou, acreditou que os filmes seriam o seu “segredinho indecente”. Não foram.
Se tudo tivesse sido como planejado, teria embolsado seus 12 mil dólares e seguido a vida. Jamais se vitimizaria como a “mocinha explorada”. Com o sucesso das cenas, porém, os produtores lucraram milhões. O problema, então, não foi o impacto na sua imagem pessoal. Apesar de não receber royalties, não se absteve de aproveitar a divulgação e explorar a “fama”, o que lhe rendeu um patrimônio de 3 milhões de dólares. O problema é que, com o sucesso, entendeu que tinha feito um contrato ruim e queria uma fatia maior do “bolo”.

Ao terminar de ler as problematizações sobre os personagens, voltei à pagina “explorar” do Instagram e a primeira foto que apareceu foi uma da Cléo Pires, com os seios à mostra, tampando os mamilos com um coração. Tinha milhares de curtidas e comentários exaltando o “empoderamento” da atriz.

Até onde, então, vai a hipocrisia? Quantas influencers ganham a vida (muito bem, por sinal), explorando as imagens dos seus corpos? Cobram fortunas por cada postagem, têm um público gigantesco e o único conteúdo que oferecem são centenas de fotos exibindo cada centímetro de suas anatomias.

As “empoderadas” do Instagram “vendem” exatamente o mesmo que Dan Bilzerian: Um estilo de vida impraticável. Com postagens, aliás, que considero muito mais prejudiciais. Conheço incontáveis mulheres que realmente terminam deprimidas por não conseguirem ter uma rotina (ou um corpo) de instagramer no meio da correria da vida real. Porém, não conheço nenhum homem que tenha terminado no psiquiatra porque não acordou em Bali e mergulhou pelado com seis beldades antes do café da manhã.

Se feminismo é sobre liberdade da mulher, sou mais feminista do que qualquer uma que se declara militante. Acredito e defendo que a mulher pode fazer absolutamente tudo o que quiser, inclusive ser dona de casa, inclusive servir de “vitrine” para divulgação de uma marca, produto ou “personagem”.

Devemos lembrar, porém, que todas as escolhas têm consequências, para o bem ou para o mal, e que estas são inevitáveis. Isso vale para quando Mia Khalifa assinou o contrato com seus produtores e para quando a Dona Maria assinou seu contrato de casamento.
Não cabe, portanto, a nenhuma militante, definir o que é pertinente, ou não, para a outra pessoa. Caso contrário, a “libertação feminina” tornar-se-á nada além de uma escravidão ideológica.


“Querer ser livre é também querer livres os outros.”
(BEAUVOIR, Simone de)

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