A arrogância humana ante a natureza

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Force of the Nature, pintado por David Hinchliffe.

Mandaram as pessoas trancafiarem-se em casa, abrindo mão de suas próprias capacidades de subsistência, para conter um vírus. E todos foram obedientemente cumprir sua missão humanitária. No fim, o vírus fez pouco caso de tanto heroísmo e seguiu seu curso natural.

Existem algumas razões que podem explicar a submissão do povo em esconder-se como ratos. No entanto, uma delas é evidente: a confiança irrestrita no poder humano em controlar as forças da natureza.

O desenvolvimento resultante do acúmulo de conhecimentos científicos e tecnológicos permitiu ao homem controlar diversos aspectos da realidade. Ele aprendeu a usar da terra, a vencer a barreira da gravidade e até a curar doenças agressivas. Isso, porém, criou a ilusão de que a realidade está completamente submetida e a natureza totalmente domada.

A confiança irrestrita no poder humano sobre a natureza gerou nas pessoas a ideia de que qualquer problema que aparecesse seria resolvido rapidamente pela inteligência humana. Afinal, o que seria uma gripe comparada a tantas vitórias empreendidas pela Ciência?

No entanto, o vírus chinês mostrou que o domínio do homem sobre a realidade é limitado; deixou claro que, por mais que a humanidade tenha superado tantas barreiras que a natureza lhe impôs, há ainda um universo amplo e misterioso a ser desbravado.

A epidemia denunciou a importância de reconhecer a limitação humana; de que a prática da docta ignorantia, de Nicolau de Cusa é mais do que um método filosófico, mas uma postura inteligente diante da existência.

Na verdade, apenas uma visão clara da pequenez humana diante da imensidão do universo propicia a sabedoria para a tomada das melhores decisões. Do contrário, a arrogância faz com que as pessoas ajam como estúpidas, chegando a sacrificar coisas importantes na confiança no poder da civilização.

Se a sociedade tivesse uma visão clara de suas próprias possibilidades, aceitaria a realidade como ela se apresenta e, sem a ilusão de impedir o imponderável, teria tomado atitudes mais saudáveis de acordo com suas capacidades.

O triste foi ter de constatar que todo o sacrifício imposto foi em vão. Basta ver como as curvas epidemiológicas de todos os países são muito parecidas, independentemente da rigidez das medidas de tentativa de contenção.

Isso quer dizer que empregos foram perdidos, economias quebradas, famílias destruídas por nada. Afinal, no caso do vírus chinês, o que sua natureza determinou foi imposto, desprezando a arrogância dos governos e da própria classe científica.

1 COMENTÁRIO

  1. Texto de cunho cristão em que a natureza humana deve reconhecer suas limitações. Deus em Cristo estava no barco com os primeiros discípulos que os seguia e foram aprendendo a depender do Criador de todas as coisas nos céus e terra, especialmente os primeiros seres humanos a quem deu o poder de multiplicarem-se. E quando Jesus, vendo uma série de reações dos discípulos, mandou a tempestade imediatamente cessar e indagaram: Mas quem é este, que até o vento e o mar lhe obedecem?

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