Os abutres de prontidão

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Pintura “A Tortura de Prometeus” (1611-12), de Peter Paul Rubens. [A pintura de Rubens teve apoio de Frans Snyder, que pintou a águia no famoso quadro – que aqui representa o abutre aludido no texto]

A perplexidade dos conservadores diante da questionável indicação para o posto de ministro do Supremo Tribunal Federal por parte do presidente Jair Bolsonaro é legítima e ameaça representar um marco divisor para uma base importante de apoio ao presidente, uma que lhe garantia até aqui, um suporte intelectual sobre temas caros à agenda do presidente.

É legítimo o desagravo, já que emerge desta esta instituição, a Corte, a maior ameaça contra a liberdade de expressão, o direito à propriedade e à vida, além do perigo que esta representa à própria frágil – e fracassada – república brasílica.

Por ter usurpado poderes e atuar de forma tirânica, a Corte do Brasil é hoje o maior instrumento de “despotismo democrático” em todo o ocidente livre, que usa o seu poder institucional para institucionalizar o poder. Eis, pois, o perigo e os porquês da revolta da base conservadora do presidente.

Não é uma questão de confiar ou não nas suas intenções – de boas intenções o inferno está cheio – mas sim de compreender que o compromisso moral e a competência são fatores primordiais para a sustentação de um governo [embora o indicado ainda não tenha assumido o posto, sendo a consequência de sua indicação algo a se abordar aquando de suas futuras decisões], e neste quesito, ao ceder ao establishment, o presidente perde uma rara oportunidades de reduzir a instrumentalização da Corte.

Conquanto alguns possam dizer que, independentemente da indicação, estão “fechados” com Bolsonaro, não parece lúcido que apoio político seja incondicional. Tampouco, claro, se rompe uma aliança por uma única decisão [a não ser claro, casos de corrupção escandalosos e confirmados, e o despotismo].

O apoio político deve estar condicionado à um conjunto de decisões e resultados, além das circunstâncias, como por exemplo o perfil do adversário. Quem elegeu Bolsonaro para implodir o sistema, certamente estará decepcionado. Quem o elegeu para construir estradas e leiloar portos e aeroportos, porém, estará satisfeito. Os que queriam simplesmente dar um chute nos bagos da mídia, da classe intelectual e artística com seu pedantismo e arrogância, já o fizeram em 2018 – feito que continua a se repetir diariamente com a ruína da credibilidade dos que posam de paladinos da moral, hasteando bandeiras genocidas.

Já para os que desejam um Estado limitado; uma educação de qualidade e livre de amarras ideológicas totalitárias; uma economia de mercado, baseada nas relações voluntárias entre os indivíduos; uma nação com segurança onde o direito à autodefesa é assegurado constitucionalmente; uma nação que respeita a vida humana em todos os seus estágios, incluindo no ventre; que defende a liberdade de ir e vir, que não força seus cidadãos à se humilharem com focinheiras enquanto acorrenta seus comércios e arranca-lhes a dignidade; uma nação que respeita aquilo que é transcendental; sinto lhes dizer, meus amigos, mas este é um processo que durará décadas, quiçá séculos, e pode a qualquer momento ser subvertido por Napoleões, Trotskys e Mussolinis da vida – algo que no Brasil temos de sobra.

Para uma maioria, cansada da corrupção e hipocrisia dos “democratas vermelhos” e desencantada com 30 anos de Socialismo e esmolas de Roma, entretanto, o mais importante em 2018 era quebrar o ciclo vicioso de governos de esquerda e devolver aos indivíduos a voz que lhes fora roubada – tal como roubaram os cofres da nação –, feito realizado apenas parcialmente.

Se Bolsonaro deve ser reeleito em 2022, o que esperar das eleições vindouras e quem serão os atores há de se avaliar quando for chegada a hora. Até lá, entenda que a mudança ocorre pela cultura, e não pela política, e a cultura no Brasil é dominada pelo que há de mais vil e extremo nas esquerdas, o que nos leva à uma última consideração, pensando no longo prazo: abre do olho para que estes radicais não voltem ao poder, pois se voltarem, o sonho de um Brasil livre, por meios institucionais e democráticos, poderá ser sepultado para sempre, pois de lá só sairão ou pela força ou após reduzirem esta Terra de Santa Cruz a escombros e valas a céu aberto.

Os abutres, claro, estão de prontidão.

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