A atividade dos maus

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Le Bal du Moulin de la Galette, pintura a óleo de Pierre-Auguste Renoir em 1876.

O que é ordinário não surpreende. Aquilo que vemos todos os dias, que experimentamos constantemente, passa desapercebido, como algo que não atrai mais nosso interesse. Observe por quantas pessoas você passa diariamente e sequer as nota – pessoas que não lhe incomodam e que estão vivendo suas vidas sem fazer mal a ninguém.

Agora, basta alguém na multidão cometer um ato de desatino e isso chamará sua atenção, porque o que a desperta é o que sai do comum, aquilo que assombra, o que espanta.

Esse é o motivo da impressão que temos de que o mal dominou o mundo. A atividade dos maus incomoda-nos porque alerta-nos para uma alteração em relação à normalidade, para um abalo na ordinariedade.

No entanto, a maldade, apesar de aparentemente se intensificar, continua a ser exceção. E é exatamente por isto que ela sempre parecerá mais presente do que realmente é. 

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