O dono da Lava Jato

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Sérgio Moro, ex-juiz de direito e ex-ministro da Estado, em 2019. (Foto: Rafael Marchante)

Com os votos de Gilmar Mendes e Lewandowski, que venceram o voto do relator, Fachin, a delação de Palocci foi retirada de um dos processos contra Lula. Este, em questão, trata sobre o terreno em São Bernardo do Campo, onde foi construído o instituto que leva o nome do ex-presidente, que teria sido recebido como propina da construtora Odebrecht.

A decisão foi comemorada pela cúpula petista, como a presidente do partido, Glesi Hoffmann, e o ex-candidato Fernando Haddad, além de noticiada com efusividade pelos membros militantes da imprensa, como a jornalista Thais Oyama.

Com a corte entendendo que o julgamento de Sérgio Moro teve motivações políticas, o PT fica mais próximo de conseguir a vitória no seu processo que questiona a competência do ex-juiz, na intenção de ter Lula como candidato em 2022.

O fiasco de Moro, quando tentou, sem sucesso, criar uma crise política no meio da pandemia, fabricando provas contra o Presidente Jair Bolsonaro, abriu precedentes para que toda a sua idoneidade profissional fosse questionada. Isso inclui sua atuação junto à Operação Lava-Jato.
Isso fez com que uma grande parte da população, outrora defensora das investigações, começasse a olhar com suspeita para a operação e, inclusive, apoiar a instauração de uma CPI para apurar seus resultados.

A decepção com um único personagem está motivando uma “caça às bruxas”, que só interessa aos corruptos brasileiros. Uma Comissão Parlamentar investigando livremente atos do judiciário, por si só, já é algo extremamente preocupante para a democracia. A competência dessa apuração cabe às instâncias superiores do próprio judiciário, não ao legislativo. Caso contrário, estamos ferindo a independência e harmonia entre os poderes, prevista no Artigo 2º da Constituição Federal.

Além disso, ao colocar em xeque toda a Operação, composta por centenas de profissionais, entre juízes, promotores, delegados e agentes policiais, coloca-se em risco todos os seus resultados, que já chegaram a incontáveis ladrões, propineiros e lobistas. Lula é só a ponta do iceberg. Outros “figurões”, como Eduardo Cunha, Sérgio Cabral, José Dirceu, Delcídio Amaral, Aécio Neves, Marcelo Odebrecht e Eike Batista já foram atingidos.

Os parasitas da República, como qualquer outro tipo, se aproveitam de qualquer espaço para infestar o hospedeiro. Baixar a nossa resistência, neste momento, só vai servir para que eles se reinstalem. Demoramos mais de 500 anos para realmente darmos uma resposta efetiva à corrupção, que sempre foi endêmica e sistêmica no nosso país. Não podemos, agora, simplesmente desistir de tudo, por causa do caráter duvidoso de apenas um homem.

Sérgio Moro não é a Lava Jato. A importância da operação está muito além de qualquer pseudo-herói. É um esforço conjunto, nobre, que finalmente colocou na mira o maior inimigo da história nacional, o principal culpado pelo nosso subdesenvolvimento.

Não podemos, de forma alguma, abandonar essa luta, ou deixá-la esmorecer. Ao contrário. É obrigação de cada brasileiro de bem, que zela por seu país, pelo dinheiro dos seus impostos e pelo futuro dos seus filhos, defender com unhas e dentes o combate à corrupção.

A Lava Jato não é de Moro, de Dallagnol, da Direita ou da Esquerda. A Lava Jato é do Brasil.


“A corrupção dos governantes quase sempre começa com a corrupção dos seus princípios.”
(BARÃO DE MONTESQUIEU)

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