O “novo normal” despreza os idosos

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Sebastião Naves, 80 anos de idade. (Foto: Michel Jesus/Gympass).

O artigo 2º do Estatuto do Idoso diz o seguinte: “O idoso goza de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral… assegurando-lhe, por lei…, todas as oportunidades e facilidades, para preservação de sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade”.

Embora não seja uma especialista em Direito, tenho por mim que o Estatuto do Idoso apenas reforça o artigo 5º da Constituição Federal que garante a todos nós igualdade perante a lei, vedando qualquer tipo de discriminação. E o que estamos vendo hoje: governadores e prefeitos, em conluio com figurões do Judiciário e Ministério Público, rasgando a Constituição Federal com decretos que desrespeitam a dignidade da pessoa humana, violam as liberdades individuais e consolidam a vileza e o despotismo como modelo social.

Depois de quatro meses de portas fechadas, as academias voltam a funcionar excluindo sumariamente todos os idosos. Pasmem, aqui em Goiânia, as pessoas acima de 60 anos não podem malhar nas academias. Eu não tenho dúvida de que os decretos desses governadores têm o objetivo de enfraquecer até matar os idosos.

Idoso mais do que ninguém precisa se exercitar para manter a qualidade de vida. Sem exercícios físicos, a coordenação motora fica comprometida e as doenças oportunistas aparecem. Envelhecimento saudável passa pela prática regular de exercícios físicos. É nítida a diferença entre um idoso ativo e o sedentário: a qualidade de vida do primeiro, não se compara com a do segundo. E os idosos estão sendo impedidos de viverem sua vida normal numa época da vida em que os momentos felizes e frutíferos valem infinitamente mais do que o próprio tempo de vida que lhes restam. Já contaram para os idosos até quando eles sofrerão essa discriminação? Já lhes perguntaram se estão contentes com essa “proteção” estatal que os faz sentir como leprosos, que não podem mais conviver em sociedade?

Mas, quem disse que os políticos estão preocupados com a saúde dos velhinhos? Além de ter que ficar isolado dos familiares, não podem frequentar academias, mas podem ir aos supermercados e é justamente lá que se tornou o ponto de encontro dos senis.

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