Quando as regras não resolvem

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Pessoas normais acreditam que a sociedade é regida por dois fatores: as leis e a linguagem. As primeiras forneceriam a ordem jurídica, a segunda a ordem comunicativa. Ambas permitiriam que o tecido social se mantivesse equilibrado e harmônico.

Com esse pensamento, pessoas normais apostam que as disputas sociais podem e devem ser resolvidas nesses dois campos. Assim, insistem, por um lado, na atuação por meio dos poderes legislativos e judiciários e, por outro, através da comunicação em mídia e outros meios culturais e pedagógicos.

No entanto, os países não são necessariamente dirigidos por pessoas normais. Geralmente, existem neles forças estabelecidas, que são os verdadeiros donos do poder, formadas por pessoas com deformidades psíquicas, especialmente psicopatas. Forças que tem como único objetivo perpetuar e expandir seu poder e que não têm qualquer compromisso com vidas que não façam parte de seu círculo interno. Às vezes, essas forças estão a favor do governo estabelecido, como na época da presidência de Fernando Henrique Cardoso, outras vezes, contra, como agora, com Bolsonaro. Há, ainda, épocas que esses poderes entram em acordo, ainda que temporário, com o governante, como na era PT.

O mais importante, porém, é entender que esses poderes ocultos são poderes patocratas, formados por pessoas com deformidades psicológicas, para as quais as normas jurídicas e linguísticas não passam de regras esquisitas, pertencentes ao mundo dos outros (do homem comum), às quais são, para esses psicopatas, incompreensíveis e impossíveis de adequação.

A verdade é que, para os psicopatas, as normas jurídicas e linguísticas são limites artificiais, criados por pessoas pertecentes a outro mundo. Por isso, para eles, essas regras não têm valor intrínseco algum. Eles sabem que desrespeitá-las pode lhes trazer problemas, mas não vêem nenhum outro motivo, senão a autoproteção, para segui-las.

No entanto, os psicopatas logo entendem uma coisa: o quanto essas regras são indispensáveis para o homem comum e o quanto ele não sabe atuar fora delas. Assim, os psicopatas descobrem que, se souberem manejá-las de maneira inteligente, podem fazer delas uma arma importante em prol de seus objetivos.

Sendo assim, os psicopatas aprendem a manipular as leis e a linguagem em seu favor, desenvolvendo um duplo padrão para cada uma delas. Aparentemente, seguem-nas, evitando, com isso, contratempos dispensáveis. Quando acham necessário, porém, não têm nenhum pudor em subvertê-las, quando não invertê-las, para que elas trabalhem em seu favor. Assim, os poderes patocratas seguem as leis e a lógica apenas na forma, para evitar desgastes e rupturas desnecessários para seus governos.

Isso cria um grande problema para as pessoas comuns, para as quais tudo o que está fora das regras legais e linguísticas, simplesmente, não têm valor. Assim, acabam tornando-se vítimas dos psicopatas, que fingem seguir as regras, quando, na verdade, estão pouco se importando com elas.

Por isso, combater forças patocratas apenas por meio da justiça e da disputa narrativa é tão inócuo. Quem faz isso, ingressa num jogo desigual, onde para um lado (o das pessoas normais) existem regras rígidas e princípios a serem seguidos, enquanto, para o outro, dos psicopatas, tais regras são apenas um instrumento que pode ser manipulado e desprezado conforme os interesses e objetivos exigirem.

Por isso, as pessoas normais precisam entender que as regras que conduzem suas vidas possuem eficácia limitada na disputa contra os poderes patocratas. Acreditar que a mera judicialização e o mero confronto de narrativas é suficiente para derrotá-los é ingenuidade. Ter plena consciência disso é imprescindível para não entrar nessa guerra já derrotado.

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