A politização da pandemia

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Foto: caracterdesign (Getty Images)

“Aqueles que têm responsabilidades políticas não devem esquecer ou subestimar a dimensão moral da representação, que consiste no empenho de compartilhar a sorte do povo e em buscar a solução dos problemas sociais. Nesta perspectiva, autoridade responsável significa também autoridade exercida mediante o recurso às virtudes que favorecem o exercício do poder com espírito de serviço (paciência, caridade, modéstia, moderação, esforço de partilha); uma autoridade exercida por pessoas capazes de assumir autenticamente como finalidade do próprio agir o bem comum e não o prestígio ou a aquisição de vantagens pessoais.” (Compêndio da Doutrina Social da Igreja, nº 410).

No trecho acima, a DSI indica que os governantes devem buscar soluções para os problemas sociais, apoiadas na moralidade e regidos por virtudes que auxiliam no serviço da população e na busca do bem comum.

Mas o que vemos no cenário atual, em meio a um inimigo invisível?

Nesses dias de “quarentena” fomos soterrados por uma carga excessiva de informações, deixando a população ainda mais confusa, com medo e ansiosa pelo que ainda estava por vir. Mesmo com o posicionamento dos órgãos governamentais, ainda havia uma preocupação excessiva, com a suspeita de manipulação dos dados (para mais ou para menos). Isso sem falar na queda de braço que alguns governadores compraram com o governo federal, deixando a situação ainda mais tensa do que está.

Resultado prático: Supermercados superlotados por pessoas que buscam fazer seus estoques (especialmente de papel higiênico e álcool em gel); preços de produtos de higiene dispararam; hospitais superlotados de falsos positivos; e pessoas sendo desligadas dos seus empregos.

Medidas precisaram ser tomadas: Governo federal aprova voucher de R$ 600 para trabalhadores informais; antecipa o saque do FGTS; governo federal libera R$ 90 bilhões para os estados combaterem a pandemia; governo federal anuncia financiamento de R$ 40 bilhões para assegurar os trabalhadores de pequenas e médias empresas.

Na área da saúde

Um importante infectologista diz que não há necessidade de isolamento se não houver sintomas, porque pode sobrecarregar os hospitais e impedir que pessoas com real necessidade tenham acesso aos serviços de saúde, além de ressaltar a importância de não parar o país, mas mantendo as pessoas do grupo de risco protegidas.

Outra boa notícia é que a aplicação de hidroxicloroquina com azitromicina tem tido resultados satisfatórios no combate da Covid-19. No Brasil, já iniciaram os testes após o medicamento ser liberado pela ANVISA e já há casos bem-sucedidos com a aplicação deste medicamento.

Sabe-se que é difícil tomar uma medida que não ofereça risco algum em meio a um problema dessa extensão. Porém, não se pode usar medidas de contenção ou prevenção como moeda de barganha política (DSI, nº 411). Ao contrário, a administração pública deve servir a população, evitando a burocratização no envio de soluções práticas e atendendo prontamente as necessidades mais urgentes, prezando sempre pela dignidade humana (DSI, nº 412).

Não há razão para brigas, intrigas, disputas e discussões em um momento tão delicado como esse. Todo esse destempero precisa ser contido com a virtude da prudência, para discernir diante destas situações e buscar os meios e as soluções para resolvê-las. É essa virtude que conduz todas as outras, indicando-lhes a regra e a medida. Além disso, serve como guia imediato do juízo da consciência, aplica sem erro os princípios morais e ultrapassa as dúvidas sobre o bem que devemos fazer e o mal que devemos evitar (Catecismo da Igreja Católica, nº 1806).

Por fim, lembremos das pessoas que ainda seguem trabalhando para nos servir (especialmente os profissionais da saúde, segurança e serviços essenciais) e peçamos a Deus que nos proteja desse mal e nos livre dele o quanto antes.

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