Novo livro liga a independência do Brasil à quebra do monopólio da imprensa

Livro de história liga a independência do Brasil à liberdade de expressão e será lançado no I Fórum dos Conservadores de Goiânia.

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Será lançado no Brasil pela Editora CRV, o primeiro título acadêmico do historiador João Corrêa Neves Jr., brasileiro radicado no Reino Unido. O livro A Secessão do Brasil do Império Português: Ideias, Cenários Políticos e Linguagens (1774-1822) trata da separação do Brasil de Portugal nas primeiras décadas do século XIX.

Questionando os porquês de o Brasil ter se tornado uma monarquia ao invés de uma república, além de manter unidas as províncias – ao contrário do que se passou com a América Espanhola –, o autor aponta para o surgimento espontâneo de uma “Causa do Brasil”, na medida em que se tornava patente as pretensões recolonizadoras das Cortes de Lisboa.

Amparado por fontes primárias como impressos, cartas e panfletos dos anos vinte do século XIX, o autor chama a atenção para o papel das duas grandes forças emergentes: O Regime de Lisboa, chefiado pelas Cortes de Lisboa e representado no Brasil pelas Tropas Portuguesas; e o Regime do Rio de Janeiro, formado a partir da união entre uma ala conservadora, liderada por
José Bonifácio, e uma ala liberal, que se articulava principalmente pela imprensa e pela maçonaria; além do próprio Príncipe Regente D. Pedro.

Embora a distinção dessas forças tenha sido previamente apontada por autores como Roderick J. Barman (1988), ainda são modestos os avanços sobre o papel da linguagem na escalada das tensões entre essas forças opositoras, argumenta o autor da obra a ser lançada.

Corrêa Neves Jr. sugere que a explosão dos impressos – periódicos e panfletos -, após a extinção dos censores régios, possibilitou o surgimento de um meio de comunicação orgânico e de grande alcance, que admitia por sua vez todo tipo de linguagem – quer altiva, sarcástica, insultuosa ou jocosa.

Esta forma de comunicação direta entre os atores do debate desempenhou naquele contexto um papel similar ao que fazem atualmente as redes sociais, rompendo no processo com o monopólio dos meios de comunicação considerados oficiais – como a Gazeta do Rio de Janeiro por exemplo.

Consequentemente, as tensões oriundas deste debate que pela primeira vez permitia na América Portuguesa a participação de populares e mulheres, dentre outros, frustrou ao mesmo tempo os interesses do Regime do Rio de Janeiro, inicialmente interessado em manter a união real com o Império Português, bem como os do Regime de Lisboa, que visava restabelecer a antiga ordem imperial pré-1808.

O livro analisa ainda como as Revoluções Americana e Francesa, a Transferência da Corte Real para o Brasil e ingerências das Cortes de Lisboa – convocadas na sequência da Revolução Liberal do Porto – sobre o futuro político do Brasil influenciaram o processo independentista brasileiro.

O autor conjectura como a monarquia, representada pela figura do herdeiro da Coroa Portuguesa, D. Pedro, se tornou a única alternativa exequível capaz de consolidar tanto a manutenção do status político e econômico adquirido pelo Brasil a partir de 1808, bem como a união provincial, além de evitar uma possível revolução de natureza sanguinária.

A obra, apresentada como tese de mestrado pelo historiador perante a Universidade Nova de Lisboa, terá o seu lançamento oficial em 13 de março no I Fórum dos Conservadores em Goiânia.

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