O intelectual e a solidão

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Às vezes vemos pessoas com algumas figuras de linguagem, boa retórica e sintaxe e ficamos admirados, por vezes nos deleitamos com as falas indecifráveis de ‘‘intelectuais’’. No fim de tudo pensamos: ‘‘Queria ser como ele’’ ou ‘‘Queria ter esse conhecimento”, entretanto não entendemos como é dolorido saber muito. Sim, o intelectual sofre.

Imagine você sabendo coisa que a maioria não sabe, sabendo os erros contemporâneos que todos fazem alarde e gabam-se de cometê-los. Com quem você conversaria sobre o caos atual, se ninguém o percebe? Não seria você taxado de conspirador ou maluco ao expor as ligações por trás das coisas corriqueiras? Tentaria explicar que existe uma agenda globalista que tenta ser colocada em prática? Não é tão simples ser erudito em terra de analfabetos funcionais.

Não seria espantoso se, em meio a tudo isso, nosso intelecto desistisse de toda forma de conhecimento, o indivíduo desgostasse de saber um pouco a mais, pois deixa de ser “gente como a gente”, passa a ser o orgulhoso, aquele que conspira contra tudo. Um dia a paciência do estudioso acaba.

Assim ele desiste de ser sábio ou passa a viver na solidão, mesmo rodeado por muitos, às vezes sorridente, mas nunca acompanhado intelectualmente, nunca amparado por idéias de amigos como a dele. Não tem com quem discutir para aumentar seu conhecimento, ficando assim sempre com seus livros, um bom tabaco e café, às vezes vendido às superstições ou entregue de fato à verdade na religião.

Em meio a um patrulhamento ideológico que insiste em chamar de opressor todo aquele que defende verdades básicas e incontestáveis, é quase impossível incentivar o gosto pelo conhecimento. Chegamos à era do ”erudito pelo não”.

A completa banalização do conhecimento tem como consequência a elevação de bestas falantes ao posto de “pensadores”, que repetem irracionalmente as mesmas coisas com alteração de palavras para o completo deleite de um público idiotizado. Enquanto isso o verdadeiro intelectual que está demonstrando a verdade é ridicularizado, ele tenta mostrar que os “pensadores” são sofistas e é tido como louco. O erudito é um chato. Suas teorias são consideradas ultrapassadas e para que dar ouvidos às suas idéias utópicas?

Nesse contexto será comum vermos esses homens se rebaixando para ter amigos, tentaram a todo custo se fingir de desentendido e acabando sempre mais irado com a ignorância do mundo. Talvez ele tente elevar a sabedoria dos amigos, se este for cuidadoso e paciente talvez consiga; contudo não está atestado a eficácia deste meio, pois não depende só dele querer ensinar, mas do outro querer entender e isso tudo sem a percepção do que esta sendo feito.

Olha onde chegamos: a verdade tem que ser transmitida veladamente, senão é rechaçada. Todos viraram comunistas sem saber, agora têm que voltar a serem humanos também sem perceberem.

Todavia um tipo superior é aquele que na roda de amigos consegue anular toda a vontade de querer transmitir o conhecimento ou puxar uma discussão filosófica, este quer apenas divertir-se quando é tempo de diversão, pois quando é tempo de estudo estará focado em estudar. Este não é o que só estuda em determinado tempo ou guarda o conhecimento para si, mas o que o transmite a quem quer saber e aprende com todas as ocasiões como se tivesse duas funções trabalhando ao mesmo tempo no cérebro: uma estudando e a outra tranquila em meio ao caos.

Algumas vezes teremos que rever as amizades, existem amizades que emburrecem. Pessoas sem nenhum senso de verdade e repetidoras de chavões. É a famosa máxima: “mostra-me com quem tu andas que te direi quem és”. Isso não tem relação com classe social, há idiotas por todos os lados. Já sábios temos que procurá-los com esforço. Esses quase não existem. Não dá para continuar com os mesmo de sempre que não oferecem crescimento, não dá para se acovardar diante de xingamentos. Nem para se prostituir intelectualmente por amigos. Amigos são aqueles que seguem com mesmos objetivos.

Quanto mais o individuo tenta conviver com os outros, mais ele odeia todo mundo, mais insatisfeito com a vida, pois é diferente de tudo que é verdade, percebe que tudo caminha para o declínio e assim desesperasse, pensa que tudo está perdido e que todos são cúmplices e culpados, por conseguinte, de sua própria ignorância intelectual.

“Um autor que vive na total solidão mental, sem interlocutores nem críticos capazes, como vivi a maior parte de minha vida, só recebe estimulo do céu. Minha sobrevivência intelectual tem sido um milagre, não vejo outra explicação.” Olavo de Carvalho

A solidão não é algo terrível, é a chance do homem encontrar-se consigo mesmo e olhar a realidade. Assim, sem demais opiniões, só consegue analisar bem o contexto aquele que está de fora, sem nenhum vínculo com nada e ninguém. Este não será influenciado por suas paixões. É a lógica dos excluídos, estes conseguem observar e julgar sem ter que tomar cuidado para não ofender ou perder amizades, pois não têm nada.

Sem querer me alongar nesse texto, encerro implorando que estudem ao menos um pouquinho por dia, que tenham boas leituras, que se perguntem “por quê?”, que sejam honestos consigo mesmos. O intelectual é aquele que percebe ao seu redor um mundo e por isso quer entendê-lo. O futuro depende dos que aqui estamos, ou fazemos a nossa parte ou continuaremos a testemunhar a tomada do mundo pelos idiotas.

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