Imago Dei: de quem é o rosto em si?

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A Criação de Adão, pintada por Michelangelo Buonarroti no teto da Capela Sistina, cerca de 1511.

Tentando injustiçar um agitador em uma das províncias romanas da Judéia há cerca de dois mil anos atrás, perguntaram-no alguns céticos: “– Devemos pagar impostos?”
O agitador, de nome Yeshua, pediu uma moeda de denário e, segurando-a, perguntou aos incrédulos: “– De quem é o rosto neste denário?”

Olhando para a moeda e vendo o rosto do imperador romano, eles responderam: “– De César!”
Yeshua então respondeu: “Pois dai a César o que é de César e dai a Deus o que é de Deus.”

Os incrédulos evidentemente não contavam com tamanha sabedoria por parte de Yeshua e não souberam como argumentar contra aquele jovem carpinteiro, um destemido andarilho das terras de Nazaré. Estes poderiam ter perguntado ao Nazareno imediatamente após à resposta “– Mas o que é de Deus?”, ao que Yeshua teria respondido:
“– De quem é o rosto em si?”

Embora alguns recortem a primeira parte desta passagem, objetivando estabelecer um vínculo entre Jesus Cristo e o Estado, a realidade é que Jesus simplesmente disse aos homens que o reino de Deus não é deste mundo (João 18:36): devemos resolver entre nós questões pertinentes ao materialismo, ao passo que devemos nos oferecer ao nosso Criador; aqueles a quem Ele fez à sua própria imagem – Imago Dei.

Investimos uma grande quantidade do nosso tempo olhando o mundo a partir da ótica material, do mundo medíocre criado pelos homens. Por isso, tantos olham para o Estado como sendo a solução para enfrentar os problemas existentes no mundo, como se este não fosse de fato um dos grandes causadores das iniquidades e das mazelas do nosso mundo.

Quantos exemplos precisaremos mostrar de que a concentração do poder na mão deste monstro é causa de tiranias responsáveis por mais mortes durante o século XX do que todos os outros dezenove séculos juntos? Holocausto, Holodomor Ucraniano, Nacionalismo Socialista, União Soviética, China Comunista, Camboja, América Latina, África. Coletivismo e Estado ao extremo é a receita para o absolutismo, não a resposta.

Como indivíduos, precisamos buscar a Verdade, e ela não provém do Estado. Liberdade, propriedade, vida, o direito à busca pela felicidade, dentre outros, nada disso é dado pelo Estado e muito menos por outros homens. 

Esses direitos inalienáveis – que, portanto, não podemos abrir mão nem se quiséssemos – nos foram dados pelo Criador. Os mecanismos dos homens foram criados como mera expressão social para que esses direitos fossem formalmente garantidos, por meio do Rule of Law, o Estado de Direito.

Todas as vezes que reduzimos o homem a um agente social submisso ao poder de outros homens, reduzimos a imagem de nosso Criador a um mero espectador do fracasso dos homens, quando na realidade, Ele nos convida a sermos livres e seguirmos a Palavra. E o que é a “Palavra”? Foi o próprio Yeshua, que nos convidou a amar uns aos outros, a dar a Deus aquilo que é Deus, e, a descobrir por nós mesmos a Verdade, quando nos ensinou dizendo:

“Conhecereis a Verdade e Ela te Libertará” João 8:32 

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