A defesa do “modus vivendi” dos índios brasileiros e as “crianças verdes” (1)

Primeira parte de uma série de artigos.

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Nada contra os valores indígenas, pelo contrário. É uma bandeira legítima. Mas os detentores dos microfones não se dão conta que preservar a cultura de um povo não significa deixá-lo no isolamento. O que é a história da humanidade senão uma trajetória de trocas e misturas culturais?

O desenvolvimento econômico, social e cultural da Europa decorreu em grande parte da matemática, da ciência e das invenções produzidas no Oriente Médio e na China. A cada conquista tecnológica, ninguém quer retornar ao “modus vivendi” anterior. Quem hoje trocaria o computador pela máquina de escrever, o telefone celular pelo fixo, o fogão a gás pelo fogão à lenha?

Quantos netos ou bisnetos de japoneses ou italianos que vivem no Brasil falam as línguas de seus avós e bisavós? Perderam a dignidade por conta de não falarem a língua de seus ancestrais? Foram massacrados culturalmente? Pelo contrário, miscigenaram-se com os brasileiros nativos e misturaram o sushi, a pizza e o macarrão com o churrasco, o feijão tropeiro e a tapioca.

A quem interessa manter o índio vivendo da mesma forma como se vivia há quinhentos anos? Certamente é quem não gostaria de viver como seus próprios ancestrais que sapecavam seus alimentos em fogueiras e literalmente corriam atrás da proteína de cada dia com um tacape na mão. Os descendentes do homem de tacape, que hoje defendem o “modus vivendi” do índio de outrora, caçam seus alimentos não com um tacape, mas com um cartão de crédito. E nem de fogão a gás precisam! Os alimentos chegam prontos para o consumo apenas com uma teclada no iFood.

Demarcação de terra indígena parece ser mais importante do que integrar o índio à rede elétrica, à internet, à geladeira, à universidade, à torcida do Flamengo ou do Grêmio ou do Palmeiras ou do Atlético (perdão aos torcedores não mencionados). Quaisquer que sejam os novos ganhos culturais, eles são bem-vindos. Você leitor, deixa de ser menos brasileiro por ser adepto do futebol, invenção dos ingleses? Ou da pizza, proveniente da Itália?

Mas… voltando aos índios… Acho que há uma campanha muito bem organizada para não integrar o índio da Amazônia brasileira ao restante da sociedade. Esta campanha se esconde nas sombras de um suposto desenvolvimento econômico, social e cultural que só seria possível por meio da autodeterminação dos povos e não pela via da integração. Certamente, a miscigenação do índio com outros brasileiros seria um grande empecilho a projetos obscuros, sabe-se lá de quem.

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